- Pessoa
- 1926-1998
O pintor e fotógrafo Antônio Roseno de Lima (1926-1998) nasceu em Alexandria (RN) e faleceu em Campinas (SP). Aos 22 anos trocou a roça pela cidade, onde aprendeu a fazer doces com a madrinha doceira. Casou-se com Cosma, sua primeira namorada, com quem teve cinco filhos. Após oito anos de casado, deixou a família e veio para a cidade de São Paulo (SP), onde conheceu Soledade, sua companheira por quarenta anos. Semianalfabeto, em 1961 Roseno frequentou um curso de fotografia e desenho durante dois meses. Ainda trabalhando com a venda de doces, passou a fotografar crianças, aniversários, casamentos, dando início a sua atuação como fotógrafo profissional e ao estúdio “Foto Santo Antônio”. Em 1962 mudou-se para Indaiatuba (SP), onde continuou a atividade de fotógrafo, registrando casamentos, acidentes de automóvel para laudos técnicos, retratos 3x4, além de dedicar-se a pintura e a fazer doces. Mesmo falido, continuou inscrevendo o nome do estúdio nas suas pinturas. Roseno pintava todos os dias e em série, repetindo a mesma figura várias vezes. Quando um desenho lhe agradava, recortava-o em lata para poder repeti-lo outras vezes. Usava materiais precários, pintando numa mesa abarrotada de objetos. Em 1976, devido a dificuldades financeiras, mudou-se para a favela Três Marias, em Campinas, na qual viveu até sua morte. Com problemas de saúde, vivendo num barraco miserável, no qual também havia uma venda improvisada de doces, pinga e cigarro, o pintor e fotógrafo – como assinava – teve uma existência precária entre amontoados de papéis velhos, latas, desenhos antigos e pinturas. Em 1988, o professor Geraldo Porto, do Departamento de Artes Plásticas do Instituto de Artes da Unicamp, conheceu as pinturas de Roseno numa exposição coletiva de artistas primitivistas no Centro de Convivência Cultural de Campinas. Impressionado com seu trabalho, o professor aproximou-se de Roseno e passou a adquirir seus quadros, dos quais o artista ainda não havia conseguido comercializar nenhum. Em 1991, Geraldo Porto organizou a primeira exposição de Roseno na galeria de arte contemporânea “Casa Triângulo”, em São Paulo. Esta primeira exposição gerou repercussão nos meios de comunicação, dando maior visibilidade ao artista, que passou a ser procurado por pessoas interessadas em adquirir suas pinturas. Com o sucesso da exposição em São Paulo, uma rede de televisão alemã realizou uma matéria sobre a obra de Roseno, apresentada durante a exposição “Documenta de Kassel”. Contudo, mesmo com um certo reconhecimento, Roseno morreu na miséria.
